Memórias II

 Noite tranquila, o adormecer e o acordar envolto nos aromas a fruta madura que o sótão e a loja exalavam pelas frestas do madeirame do sobrado.

O tempo arrefecia lentamente, o vento empurrava as primeiras folhas libertas das árvores, recentemente aliviadas dos seus frutos viçosos, numa colheita desenfreada por ranchos de rapazes e raparigas.

No lagar, o mosto fermenta numa reação química empírica aos olhos dos adegueiros ocasionais. Com a força enérgica dos braços e com o rodo em riste, afunda-se a manta, trabalha-se o vinho no pio.

Os movimentos acompanhados de sons guturais, em cada esforço, descendo pela testa, gotículas salgadas de suor.

A “pinga” para o ano inteiro está prestes a estar pronta, para encubar no pipo, onde uma mecha de enxofre incendiada defumou o barril ancestral, último reduto do néctar dos Deuses.

O  velho Caturra envelhecia ao ritmo do tempo da cozedura do vinho, da cura dos queijos e da salmoura das azeitonas cor de vil e bical.

Com o neto em redor, sobe a escadaria rumo à cozinha para comer o caldo e um pedaço de pão centeio com azeitonas.

O púcaro de barro solta o aroma do café de saco acabado de coar pela Maria Vitória.

Mais ao lado, duas fatias de pão sobre brasas libertam o cheiro a torradas, um fio de azeite derramado com parcimónia, completa o manjar do petiz.

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1 Comentário

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    3 Abril, 2018 a 21:30

    Eu fiz sem a batata, vou fazer purê a parte, cismei kkkk Azeite, lombos daqueles dessalgados Riber Alves, cebola, pimentões, alho só um pouco de leve, e azeitonas pretas. A receita do Riber Alves mesmo e tb não coloquei sal, azeitonas já tem demais, e azeite novamente mas antes de por assar, coloco mais. Tb vou botar no forno nesse esquema. No final salsinha e ovos cozidos. Não coloquei tomate hehe

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