Artigo

a morte de seis idosos e outros tantos feridos graves

“Não podia deixar de escrever sobre este lamentável incidente. O país despertou ontem sob o peso de mais uma notícia devastadora: a morte de seis idosos e outros tantos feridos graves num incêndio ocorrido numa instituição em Mirandela!!. (*)

Mais do que um episódio isolado, este acontecimento deve convocar-nos obrigatoriamente para uma reflexão serena, mas inadiável, sobre a forma como olhamos para as nossas estruturas residenciais, para as condições em que vivem aqueles que nelas residem e para a responsabilidade coletiva em lhes assegurar não só um conjunto de cuidados básicos como também de segurança e de dignidade até ao fim das suas vidas.

Neste terrível momento de luto e respeito pelas vítimas e suas famílias, não se trata de se antecipar aqui quaisquer conclusões precipitadas sobre este acontecimento – seria um exercício completamente inadequado e, a meu ver, profundamente inútil -, mas antes em se

compreender que cada tragédia destas expõe as fragilidades de um sistema que não deve continuar a ser apenas abordado na lógica dos habituais remendos ou de eventuais reações tardias!

Estou absolutamente convicto que um qualquer debate sério sobre segurança em lares (ERPI´s) não pode começar na comoção!! Deve começar na ciência da prevenção!!. Em saúde, risco não é um sentimento! É antes uma variável mensurável que se governa com método.

 

Cuidarmos de pessoas idosas em contexto institucional é, por definição, uma atividade de alto risco: a fragilidade clínica, a dependência funcional, a vulnerabilidade noturna e a exigência de infraestruturas adequadas convergem para um terreno onde o imprevisto é sempre previsível.

As respostas competentes não podem ser o improviso emocional, mas a arquitetura deliberada dos riscos, feita de ferramentas que a gestão em saúde e as organizações de alta fiabilidade já tornaram familiares: modelação da carga de trabalho, governação clínica com múltiplos indicadores, cultura de segurança Safety-I e Safety-II, análise sistémica de falhas através do modelo do “queijo suíço” e um treino regular em cenários críticos. O que não se parecer com isto será sempre insuficiente!. (…)”

Sérgio S.

Clinical Services Manager # Lead Nurse – IC IPSS | Residential Care Director – ERPI | Management & Administration

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