Artigo

Os cuidados informais surgem como um pilar estrutural

A intervenção que apresentei no Seminário Técnico | Qualidade, Dignidade e Direitos nos Cuidados a Pessoas Idosas – procurou traçar uma leitura integrada do Estado da Arte dos Cuidados de Longa Duração (CLD) em Portugal, articulando evidência científica, dados de gestão, enquadramento institucional e o papel, frequentemente invisibilizado, dos cuidados informais.
A partir da literatura internacional, foi analisada a trajetória de declínio associada ao acolhimento residencial, evidenciando riscos como o declínio cognitivo, a perda de autonomia e a deterioração da qualidade de vida quando os modelos de cuidado não são centrados na pessoa.

A evidência é consistente ao demonstrar que modelos centrados na pessoa e na relação mitigam estes efeitos, reforçando a centralidade da qualidade relacional do cuidado.
No plano institucional, foi apresentada uma leitura crítica da evolução da investigação sobre qualidade nas ERPI, marcada pela predominância de indicadores estruturais e processuais, em detrimento da avaliação sistemática da experiência vivida pelas pessoas idosas.
A análise integrou ainda o desfasamento crescente entre os custos reais do cuidado e os valores de financiamento, com impactos diretos na sustentabilidade das organizações e na capacidade de garantir cuidados de qualidade.

Neste contexto,

os cuidados informais surgem como um pilar estrutural do sistema de CLD, mas permanecem subvalorizados, pouco apoiados e sobrecarregados.

A fragilidade das ECCI e da RNCCI, amplamente documentada por relatórios oficiais, compromete a afirmação do domicílio como núcleo do cuidado e reforça um modelo fragmentado e reativo.
A questão final — como desatar o nó dos cuidados de longa duração? — aponta para a necessidade de alinhar evidência científica, políticas públicas, financiamento adequado e

valorização do cuidado informal, colocando a pessoa no centro do sistema.

PAULO MOTA LOURENÇO

PhD (USC) in Regional Development and Economic Integration Researcher in Social Gerontology Specialist in informal care, gerontological planning, social impact analysis, and quality in dignified care

 

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