‘É preciso ter muito talento para envelhecer’

“Preocupa-me imenso o que vai acontecer em relação ao trabalho porque eu estou apta, a minha memória está boa. Gosto de trabalhar, quero trabalhar e preciso de trabalhar para manter este nivelzinho mais ou menos simpático
– nunca fui rica, umas vezes andei mais para cima, outras muito para baixo. Há colegas meus, e não só, a passarem mal. Falo dos músicos, dos bailarinos, das pessoas todas que vivem dos espetáculos de verão.”

“As pessoas não podem ficar completamente confinadas a casa.
Com certeza que aceito que se mantenha um certo afastamento…
Agora, ninguém sair de casa até dezembro?
Enlouquecemos todos!”

“Sinto que a minha cabeça não tem 80 anos, que a minha alma não tem 80 anos, que as minhas mãos não têm 80 anos.

Às vezes, para gerir essa décalage entre aquilo que eu sinto e aquilo que eu sou, é preciso um grande talento. É preciso ter muito talento para envelhecer.
Adoro arranjar-me, pintar o cabelo e fazer as minhas unhas de gel, que agora estão horrorosas!
No dia em que eu não fizer isso, não sou eu. Ou então estou toda velha [risos]. Não me apetece nada.”

(Simone de Oliveira, Sol, 25 de abril de 2020)

FOTO: Maria.pt

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