ARTIGO EM DESTAQUE: “Confinamento… um fim”

O Semanário Sol fez um belíssimo trabalho de compilação de artigos de opinião e entrevistas a figuras públicas com 65 + anos: “Os velhos não se deixam abater”. 

Os textos foram publicados na edição de 25 de abril de 2020 e nós destacamos o trabalho assinado pelo apresentador Júlio Isidro:

Confinamento… um fim

O vírus nasceu com um alvo. O mundo no seu todo, o mundo dos velhos, quase todo.
Nesta sociedade fresca, do sucesso e da miragem do futuro, há quem pague um preço elevado: a solidão, uma espécie de inferno onde se queimam corpos e almas em lume brando.
No momento tristemente histórico em que vivemos, os velhos ficam
cada vez mais sozinhos pelos que partem e ainda mais sós uns
dos outros.
Os lares de gente sentada de olhar no vazio entre o levantar da cama ajudado, até à hora do recolher, são um confinamento institucionalizado
que ganha agora contornos dramáticos com esta praga que antecipa as partidas.
Mas, qual a alternativa, quando se equaciona entre perder a liberdade e ganhar a esperança da vida?
Há milhares de velhos que carregaram aos ombros o sacrifício de levantar uma Europa em ruínas e que são agora a segunda es escolha do ventilador. O vírus só veio descarnar a enorme ferida de uma sociedade global onde se
descartam vidas passadas e o enorme contributo que deram para o futuro.
Os números falam por si: os velhos são as maiores vítimas e aqueles que eles recordam, são tantas vezes os que deles se esquecem.
Quando o horizonte fica cada vez mais próximo, o tempo de confinamento
solitário é uma perda irreparável. Há que garantir a sobrevivência aos cidadãos que foram ontem o que são hoje os jovens de amanhã. Sobreviver e
acrescentar vida aos anos.
Quando sairmos daqui, perdemos uma parcela da já limitada esperança de continuar a viver, fazendo, porque o direito ao descanso, cada um gere com a sua liberdade.
Relendo Cem Anos de Solidão diz Gabriel Garcia Marquez: «O segredo
de uma velhice agradável, consiste na assinatura de um honroso pacto com a solidão».
É bom ao ler, será uma conquista de alguns, mas a realidade é muito mais cruel.

FOTO: Sintra Notícias

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