Carta aberta às autoridades públicas de saúde

Exma. Sra. Ministra da Saúde Dra. Marta Temido,

Exma. Sra. Diretora-Geral da Saúde Dra. Graça Freitas,

 

Falo-vos na qualidade de Psicólogo Clínico e Diretor Técnico de uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS) com respostas sociais na área da terceira idade, nomeadamente Estrutura Residencial Para Idosos (ERPI), Centro de Dia e Apoio Domiciliário.

Antes de mais, quero salientar a difícil tarefa que têm vindo a levar a cabo ao longo dos últimos meses. Combatemos um inimigo invisível que só agora tem mostrado alguns indicadores de abrandamento – em alguns países, é claro – o que faz com que esta seja uma fase de avanços e recuos, consoante a resposta que a sociedade e o próprio vírus for dando.

O trabalho que as Exmas. Senhoras têm vindo a desenvolver ao longo deste período tem sido francamente positivo, marcado naturalmente por alguns avanços e recuos em termos de regras, como referi no parágrafo acima, ainda para mais considerando que pela primeira vez em cerca de 100 anos estamos a passar por uma situação deste género.

Felizmente, o país atravessa, neste momento, uma fase progressiva ou gradual de desconfinamento, estando as pessoas a reaprender a viver.

Remetendo para o assunto que me motivou a escrever-vos estas linhas, procuro que voltemos a olhar para as IPSS, nomeadamente os lares de idosos, que durante alguns períodos da pandemia estiveram no centro das atenções e foram alvo de escrutínio publico.

As visitas por parte dos familiares e amigos dos utentes internos, nomeadamente na resposta social de ERPI, foram suspensas em março e, entretanto, já foram reabertas, obviamente com uma série de condicionantes e regras muito específicas. A minha questão é: e o Centro de Dia? Qual a previsão de abertura do mesmo?

Com as visitas abertas aos utentes, não considero fazer sentido continuar-se a adiar a reabertura dos Centros de Dia.

Uma das grandes vantagens desta resposta social é precisamente permitir aos utentes a socialização com o grupo de pares, ao mesmo tempo que sãos acompanhados por profissionais qualificados. Ao fim do dia retomam aos seus domicílios, idealmente para juntos dos familiares (regra geral é precisamente o oposto que acontece, pois, estas pessoas idosas frequentemente habitam sós).

Contudo, neste momento essas mesmas pessoas idosas estão a passar por sérias dificuldades, seja por falta de suporte familiar, seja pela incapacidade dos serviços se multiplicarem e fazerem face às novas exigências proporcionadas pelo novo coronavírus. Assisto, muitas vezes, com sentimento de impotência ao degradar físico e acima de tudo psicológico/cognitivo dos utentes que neste momento fazem uma espécie de confinamento obrigatório.

Assim, Dra. Marta Temido e Dra. Graça Freitas, venho por esta via solicitar, encarecidamente, a vossas excelências a abertura da resposta social de Centro de Dia.

Os nossos utentes necessitam da vossa intervenção urgentemente. Vamos continuar a salvar vidas!

 

*Artigo originalmente publicado no Jornal do Centro

Psicólogo Clínico | Diretor Técnico de IPSS

marcelocosta10@live.com.pt

FOTO DE CAPA: LUSA/ANTÓNIO COTRIM

 

 

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