MEMÓRIAS III

Já almoçados avô e neto aparelham o burro com as cangalhas, destino, a fazenda para mais uma jornada de trabalho, serrar, cortar e arrumar a lenha para os dias mais frios que se avizinham.

Chegados à fazenda a prioridade das prioridades, alimentar o “vivo”.

As galinhas aguardam a saraivada de milho, bem como as folhas velhas de caldo, para dar início ao debicar devorador, num grão a grão enche a galinha o papo.

O avô segue em direção da furda, onde o “reco” ronca de fome, a agitação termina com o despejar da vianda na pia.

Como complemento da ração, o avô dá ao neto, um caldeiro repleto de bolotas apanhadas na véspera debaixo das três sobreiras.

Em seguida, com a pedra de afiar, aguça o fio do machado para cortar e rachar uns ramos de sobreira, destroços da poda da semana passada.

O miúdo segue observando à distância, cada golpe desferido nas pernadas de azinho, enquanto a avó Vitória não chega com o jantar às Ginjeiras.

Campo, 13 de Janeiro de 2018

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