PRESCRIÇÃO SOCIAL

Uma questão de difícil resolução, mas de imperiosa atenção, são os internamentos sociais. Os hospitais públicos têm 829 camas ocupadas (5% do total), todos os dias, com pessoas que já não precisam de cuidados clínicos, mas que não têm para onde ir.

Estas pessoas, de acordo com os dados oficiais, permanecem, em média, 100 dias internadas à espera de uma resposta familiar ou da comunidade.

Esta situação representa um custo de mais de 83 milhões de euros para o Estado e um risco acrescido para quem lá permanece de contrair outras doenças.

Este quadro pode resultar da falta de resposta ou capacidade da rede de cuidados continuados; da incapacidade das famílias ou dos cuidadores, do célere envelhecimento da população portuguesa…

O facto de a nossa população estar mais envelhecida e a incapacidade, em muitos casos, das famílias ou dos cuidadores, potenciam também uma epidemia silenciosa: a solidão.

O isolamento social, associado à idade, é o resultado e três perdas relacionadas com a IDENTIDADE, AUTONOMIA e o SENTIDO DE PERTENÇA.

Estes problemas – os internamentos sociais e a solidão – não se combatem através da medicação.

A solução terá que passar pelo tecido associativo e por programas sociais de acompanhamento.

Um bom exemplo, ao qual voltarei no próximo artigo, é a “PRESCRIÇÃO SOCIAL”.

 

 

 

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