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Estou a envelhecer. Não estamos todos!?

Estou a envelhecer. Não estamos todos!?
Para alguns, existem formas de ser velho, para mim existem formas diferentes de envelhecer.
Uma das mais comuns formas de discriminação, talvez aquela que menos se publicita, é a da idade.
Se em algum momento mostras cansaço, isso não é do resultado de trabalho, isso é do “idadismo”.
Esta forma, de sempre, de discriminar que muitas vezes se confunde com discursos de diferenças geracionais e que muitas vezes se exterioriza e se aceita através de perigosos estereótipos, daqueles que facilmente tendem para os preconceitos, são o motivo primeiro de afastamento geracional e de um sinal menor na qualidade de uma organização social.
Assim o mostrou, em Portugal, mais do que nunca, esta pandemia – devastadora para os mais velhos e, tantas vezes, pouco responsável para os restantes, num gesto de uma aparente sociopatia coletiva.
A conotação negativa, em função da idade, é talvez a forma mais injusta de tratar a evolução da idade biológica e, ainda mais, para aqueles que olham a passagem do tempo como uma viagem com diferentes estados de espírito.
É aqui, neste universo de discriminação, que os modelos sociais e culturais, que a educação, mais marca essa negativa conotação. Uma das mais comuns – muitas vezes, injustamente, apontada ao exagero dos mais velhos – é a inutilidade daqueles que sempre se mantiveram socialmente activos, como se não produzissem riqueza e ocupassem o lugar dos mais novos.
Imaginem este exercício, do mais e do menos, após os 50 anos: mais lento – menos recuperação;
mais peso – menos rápido;
mais calvice – menos pelo;
mais face – menos snap;
mais silêncio – menos som;
mais jazz – menos pop;
mais filmes – menos tempo;
mais jardim – menos ginásio;
menos som – muito alto;
mais cedo – menos sono;
mais seguro – menos banco;
mais vinho – menos cerveja;
mais sinceridade – menos hipocrisia;
mais perda – menos memória;
mais referências – menos ouvintes;
mais mostra – menos vergonha.
Muito mais próximo – Muito mais longe!
Quando acabar de ler isto, estarás mais velho!
Paulo Fernandes
(Coronel na Reserva – Guarda Nacional Republicana)
Foto de capa: https://englishrussia.com/
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