Uma chamada à ação que não podemos ignorar
Quero saudar o artigo de opinião de Fernando Araújo, publicado no Público, e, sobretudo, a sua importante chamada à ação.
O texto dá visibilidade a uma realidade que permanece demasiado escondida: pais e outros cuidadores informais que envelhecem enquanto cuidam de filhos adultos com deficiência e que vivem, muitas vezes, com a angústia de não saberem quem cuidará deles quando já não puderem fazê-lo.
Esta realidade exige mais do que respostas pontuais, exige uma mudança de paradigma e a construção de um novo modelo, um verdadeiro ecossistema de cuidados, capaz de articular família, comunidade, serviços sociais, saúde, autarquias e Estado, garantindo continuidade dos cuidados e qualidade de vida, sem que a institucionalização seja a resposta automática.
Precisamos, urgentemente, de retirar os cuidadores informais da invisibilidade, reconhecer o seu papel, conhecer a dimensão e diversidade das suas necessidades, apoiá-los e garantir-lhes direitos. Não se trata apenas de uma questão de justiça social, é uma condição essencial para construirmos uma sociedade que cuida.
Não podemos esperar pela morte ou incapacidade do cuidador para começar a pensar no futuro de quem dele depende.
A chamada à ação deste artigo deve ser também uma chamada à responsabilidade coletiva: é tempo de colocar o cuidado no centro das políticas públicas e de construir, hoje, as respostas de que estas famílias precisarão amanhã.
José Carreira
#CuidarDeQuemCuida, #CuidadoresInformais e #EcossistemaDoCuidado


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