Artigo

JOVENS DE 90 ANOS

“Ler, caminhar e outros prazeres Aos 90, o jornalista e romancista José Rentes de Carvalho valoriza as amizades e encontra satisfação naquilo que tem”

Foto De Capa: Rui Duarte Silva

A jornalista Carla Soares, numa trabalho de muita qualidade, na Visão, dá a conhecer  ““jovens” de 90 anos que continuam a ser inspiradores”.

Hoje partilhamos com os nosso leitores Rentes de Carvalho:

Chegar aos 90 num mundo veloz é um exercício criativo. O escritor luso-holandês José Rentes de Carvalho vive, há mais de seis décadas, em Amesterdão. Autor do blogue Tempo Contado (título do livro publicado em 2010), onde se apresenta como “patrão da barca”, aceitou o desafio da VISÃO e, via email, discorreu sobre os seus dias passados “sem gerência ou planeamento, antes num descansado deixa andar, daí ser mínimo o espaço para que eu me aborreça ou me deixe aborrecer”. É assim há 30 anos, após a reforma. No registo irónico a que nos habituou, diz limitar os contactos sociais à família e a um número reduzido de amigos, o que “desagradaria a quem gosta ou precisa de agitação”.

Viciado na leitura, dedica-lhe entre três e quatro horas por dia e é pouco dado a passatempos. Assume-se um “sedentário, de facto um preguiçoso”, mas caminhar é outro dos seus prazeres: “Com um passeio quase diário de quatro a cinco quilómetros, no magnífico parque aqui ao pé da porta (Gaasperpark), alivio o cérebro e mantenho um mínimo de forma física.” Por falar nisso, “é um bocado aborrecido constatar que na muita idade o corpo deixa de ser uma máquina obediente e se torna um companheiro refilão”.

Às vezes, diverte-se a desempenhar o papel de idoso: “Se me dou conta de que o interlocutor espera que não me mostre demasiado ativo nem saudável, sou capaz de queixar-me do que não sofro.” Na verdade, sobe e desce os 13 degraus na casa de dois andares “dezenas de vezes ao dia”. O premiado jornalista e romancista adianta que lhe é essencial a amizade, a ternura, a franqueza e a camaradagem, além do “descanso que é encontrar satisfação no que tenho, não ambicionar mais do que aquilo que a vida e o destino me dão e poder olhar para o passado sem medo nem vergonha”.

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