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Um super-herói pode envelhecer?

No Twitter deparamo-nos com uma foto de Harrison Ford, com 78 anos a usar máscara, vestido de Indiana Jones na rodagem do novo filme da saga, dirigido por James Mangold em vez de Steven Spielberg, que chegará aos cinemas no verão de 2022, quando o ator tiver 80 anos.

Guillermo Alonso escreve no El País:

“Indiana Jones é agora aquilo que um herói nunca pode ser, um quase octogenário. Como é o século XXI: as barreiras de orientação sexual e de gênero são derrubadas, as mulheres estão finalmente começando a ser aceitas como heroínas de ação, a questão da diversidade neurológica e da saúde mental é trazida à tona e são desafiados –muito lentamente– os cânones da beleza normativa, mas ainda não sabemos o que fazer com essa incômoda e por enquanto insolúvel questão do envelhecimento.”

À questão que intitula esta publicação – “Um super-herói pode envelhecer?” – conclui:

” (…) uma super-heroína de ação pode envelhecer? É digno de comemoração que Linda Hamilton tenha aceitado aparentar os 62 anos que tinha em O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio (2019), mas infelizmente a proporção entre heróis e heroínas não nos permite encontrar muitos outros exemplos.”

“O problema não é que Harrison Ford, Linda Hamilton ou Tom Cruise envelheçam, mas que isso nos envelheça. Como quando vimos Miguel Indurain fraquejar no Tour de France de 1996 –atenção, Indurain tinha 32 anos na época, mas falamos sobre a idade dos atletas outro dia– ou Madonna cair de um palco em 2015. Seu herói fraqueja, você fraqueja. Dentro ou fora das telas, os ídolos são nossos espelhos e a questão não é apenas que o tempo os enruga e os achata, mas que no cinema não houve uma mudança de geração. Quem são hoje os novos Harrison Ford, Sylvester Stallone, Arnold Schwarzenegger, Chuck Norris ou Bruce Willis? Somente The Rock e Jason Statham dão socos de verdade, enquanto o resto dos novos heróis se presta mais à fantasia multicolorida diante do croma verde nas sagas da Marvel.

Hoje provavelmente não precisamos mais daquele tipo de heróis duros e amorais da era Reagan porque o inimigo a bater já não é tão rude quanto comunistas, vietnamitas, selvagens de tanga de alguma floresta em alguma área empobrecida dos trópicos, russos ou extraterrestres que botam ovos. Hoje o mundo é muito mais complicado, os inimigos são invisíveis e é por isso que voltar àquela distribuição tosca e fácil de heróis e vilões traz alguma paz, mas a realidade golpeia: eles são velhos. Todos. Os vilões também. Pode-se dizer velhos? É que talvez nem possamos chamá-los de velhos porque nada é pior do que ser velho. O compositor Nacho Canut explicou ao EL PAÍS em 2019: “Se há algo que agora é preciso dissimular e que dá vergonha ou que se deve tentar evitar, é a velhice. Te perdoam por ser tudo o que quiser ser, mas velho, não “.

Leia o artigo completo, muito interessante, aqui…

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