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ALZHEIMER: COMBATE AO ESTIGMA, DIAGNÓSTICO E PÓS-DIAGNÓSTICO

ALZHEIMER: COMBATE AO ESTIGMA, DIAGNÓSTICO E PÓS-DIAGNÓSTICO

Estima-se, com base em dados da Alzheimer Europe e da Alzheimer´s Disease International (ADI), que possam viver, em Portugal, mais de 200.000 pessoas com demência. Face às projeções existentes, em 2050, estes números deverão aumentar para 350.000 pessoas afetadas pela doença. Se considerarmos o binómio pessoa cuidada / pessoa cuidadora, poderemos estar a falar de 700.000 pessoas. Considerando as barreiras ao diagnóstico – dificuldades no acesso aos serviços de saúde, falsas crenças, estigma, preconceito (…) – dever-se-á ter em atenção que é muito provável que as demências estejam sub-diagnosticadas no nosso país.

A Alzheimer Portugal, no Manifesto “Pela Memória Futura”, alerta para a “falsa crença de que a demência faz parte de um processo natural de envelhecimento ou que a pessoa com demência não tem capacidade de lidar com o diagnóstico ou ainda que não existem tratamentos disponíveis.” A promoção de um diagnóstico atempado e correto deve ser uma das prioridades estratégicas, combinada com o incremento da literacia em saúde na área das demências, uma forte aposta na prevenção e no combate ao estigma.

Sabemos, com base em evidência científica, que 40% dos casos de demência poderão ser prevenidos se controlarmos mais e melhor os fatores de risco modificáveis: diabetes; hipertensão; traumatismo cranioencefálico; fumar; poluição do ar; obesidade; sedentarismo; depressão; consumo excessivo de álcool; perda de audição; isolamento social; baixo nível educacional.  A Organização Mundial de Saúde (OMS) reforçou a importância da prevenção e do controlo dos fatores de risco, em linha com o relatório da Comissão da The Lancet: “Dementia prevention, intervention, and care 2020.”

Durante o mês de setembro, as Obras Sociais de Viseu, no âmbito da resposta social Centro de Apoio a Pessoas com Alzheimer e outras Demências, dinamizam, com parceiros locais, nacionais e internacionais, iniciativas que visam informar e sensibilizar a comunidade para os desafios que a demência coloca à pessoa que adoece, aos seus cuidadores e familiares. Este ano, o tema da campanha “Conhecer a demência / Conhecer a doença de Alzheimer”, em linha com a ADI, tem na sua base o poder do conhecimento. Quanto mais soubermos sobre a doença, munindo-nos de informação, aconselhamento e apoios, mais aptos estaremos para nos prepararmos e adaptarmos. “Conhecer é poder!”.

Em 2021, o foco da campanha foi o diagnóstico e, em 2022, numa linha de trabalho de continuidade, o foco no Mês Mundial de Alzheimer é o apoio pós-diagnóstico, estimulado pelos desenvolvimentos recentes e potenciais avanços, tanto no tratamento como no apoio às pessoas com demência. O relatório Mundial de Alzheimer 2022[1], lançado no dia 21 de setembro, Dia Mundial da Doença de Alzheimer, revela que até 85 por cento das pessoas com demência podem não estar a receber cuidados depois do diagnóstico. Os especialistas em demência pedem que os cuidados à demência pós-diagnóstico sejam reconhecidos como um direito humano. O tratamento, os cuidados e o apoio planificados pós-diagnóstico da demência são vitais para melhorar a qualidade de vida das pessoas com demência e dos cuidadores.

É urgente a criação e implementação do Plano Nacional para as Demências em Portugal, dotado do imperativo e imprescindível envelope financeiro, que potencie uma resposta específica, integrada e eficiente à demência, alavancada numa articulação intersectorial que envolva o setor da saúde, o setor social, as autarquias e as famílias.

[1] https://www.alzint.org/u/World-Alzheimer-Report-2022.pdf

José Carreira

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