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“EUROPEAN DEMENTIA MONITOR”: EM 20.º LUGAR, PORTUGAL TEM MUITO CAMINHO PARA ANDAR

A Alzheimer Europe publicou o “European Dementia Monitor: Comparing and benchmarking national dementia strategies and policies” com o objetivo de fornecer uma referência relativamente às políticas nacionais para a demência, de modo a comparar e avaliar as respostas dos países europeus aos desafios da demência. O relatório identifica e avalia os países que têm as políticas mais inclusivas e que garantem o melhor apoio e tratamento às pessoas com demência e aos seus cuidadores.

Os cinco países com melhores respostas aos desafios das demências são a Holanda, a Escócia, a República Checa, a Alemanha e a Suécia. Em regra, os países que efetivaram estratégias nacionais para a demência obtiveram melhores resultados do que aqueles que ainda não o fizeram. Embora vários países tenham conseguido melhorar a situação das pessoas com demência e dos seus cuidadores, o progresso não foi o mesmo em todas as regiões europeias. Ainda existe uma clara divisão na Europa, com a maioria dos países da Europa Ocidental e do Norte a pontuarem significativamente melhor do que os países da Europa de Leste.

O European Dementia Monitor 2023 compara países em 10 categorias diferentes: disponibilidade de serviços de cuidados; acessibilidade dos serviços de cuidados; reembolso de medicamentos e outras intervenções médicas; disponibilidade de ensaios clínicos; envolvimento do país nas iniciativas europeias de investigação sobre demência; reconhecimento da demência como uma prioridade política e de investigação; desenvolvimento de iniciativas amigas da demência; reconhecimento dos direitos legais; ratificação dos tratados internacionais e europeus de direitos humanos; cuidados e direitos do trabalho.

Ao analisarmos os dados do relatório, verificamos que Portugal se encontra posicionado na 20.ª posição no conjunto dos 38 países, obtendo um score de 51,3%. É fundamental que o futuro Governo reconheça a demência como uma prioridade nacional de saúde pública e de investigação, efetive a estratégia nacional para a demência, aprovada em 2018, e assuma, como objetivo de médio prazo, a adoção e a implementação de um Plano Nacional para as Demências, um objetivo que defendo, desde 2017, como resposta integral, transversal e intersectorial.

Em 2024, realizar-se-ão eleições legislativas e europeias, dois momentos fundamentais para a vida das portuguesas e dos portugueses. Este relatório poderá ser uma ferramenta útil ao futuro Governo de Portugal. Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para sensibilizar os partidos políticos para a urgência que as demências representam, em função da sua incidência e prevalência, em Portugal e no mundo. É um momento de renovação da esperança para a melhoria da vida das pessoas com demência e dos seus cuidadores.

Fica também o desafio para que leia, assine e partilhe a petição “24 de abril como Dia Internacional do Cuidado sem Contenções Mecânicas ou Farmacológicas”. Em Portugal existe um uso excessivo e inadequado de contenções, tanto físicas (exemplos: amarrar pessoas na cama ou no cadeirão) como farmacológicas (sobremedicação) em pessoas idosas dependentes e, sobretudo, em pessoas que vivem com a doença de Alzheimer e outras demências. As pessoas submetidas a estas contenções confrontam-se com a acelerada perda de autonomia, dignidade e autoestima.

Link para a petição: https://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT118929

JOSÉ CARREIRA

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