Artigo

SUGESTÃO: EXPOSIÇÃO ACASOS OBJETIVOS

“A cidade é um chão de palavras pisadas”

(José Carlos Ary dos Santos)

Um Palácio do Gelo sui generis foi magistralmente captado pela lente do jornalista Carlos Magno. Uma das fotografias da exposição “Acasos Objetivos”, patente na Quinta da Cruz, em Viseu, é exatamente a de dois bonecos numa espécie de pequena pista redonda intitulada “Pista de gelo – Rua Direita Shopping”. A imagem terá sido registada na montra de uma das lojas de comércio tradicional da Rua Direita…

Carlos Magno considera fotografar mensagens inscritas em paredes “uma outra forma de fazer jornalismo”. Fotografa desde que se conhece e, aos 64 anos, é taxativo: “Hoje fotografo porque aquilo que eu vejo nas paredes é mais interessante do que aquilo que oiço dizer aos meus contemporâneos.”    

“Acasos Objetivos” é uma exposição de fotografia de Carlos Magno, composta por imagens de semiótica urbana que documentam para o futuro a efémera voz dos cidadãos, escrita e desenhada nas paredes, nas estradas ou nos cartazes que, em muitos casos, resultam do alinhamento de acontecimentos, mais ou menos acidentais, que o fotógrafo descobre ou pressente e não perde a oportunidade de registar.”

Ao ler o Jornal de Notícias (20 de janeiro de 2020) fico a saber que “Limpar grafitis custa milhares de euros às câmaras”.  “Limpar grafitis já custou mais de um milhão de euros à Câmara do Porto nos últimos quatro anos.” Os testemunhos de alguns cidadãos portuenses clarificam o subtítulo da notícia de capa: Arte urbana é apreciada, mas atos de vandalismo atingem contas das câmaras de Porto e Lisboa.”

Nunca mais me esqueci do que vi no Rio de Janeiro, em 2000. Havia “pichação” por todo o lado e em andares de difícil acesso (outra curiosidade, as portas e as varandas com grades). “Pichagens” em cada pedaço de parede, uns rabiscos, aparentemente ilegíveis, utilizados como forma de demarcação de territórios entre grupos, às vezes gangues rivais.

É fundamental discernir entre a arte (que merece aplausos) e o vandalismo (que merece total repudio). Há belíssimos exemplos, verdadeiras obras de arte, um pouco por todo o mundo. Sou fã incondicional do projeto Lata 65[1] que grafita estereótipos e combate o idadismo.

Recomendo uma visita à exposição de Carlos Magno, deixe-se surpreender pela #Selfie e tantas outras fotografias do espaço urbano. Aproveite e passeie na bonita Quinta da Cruz. Se tiver tempo, não deixe também de observar o trabalho de Alexandre Sampaio que utiliza a Fotografia Solar, ou Soligrafia para dar corpo à exposição CHE BELLA COSA NA JURNATA E SOLE.”  

[1] https://envelhecer.pt/envelhecemos-bem/grafitar-estereotipos/ 

 

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